02 ago

FAMÍLIA AUSENTE, EDUCAÇÃO EM CRISE

Sílvia Gusmão

Hannah Arendt há meioséculo, previu que a educação seria atingida pelacrise da famíliacontemporânea. Atualmente, testemunhamos os efeitos gerados a partir da dinâmica instalada na família, cujas relaçõessão marcadas pelahorizontalidade, decorrente do declínio do poderpatriarcal, tambémassociado à emancipação da mulher e à suaentrada no mercado de trabalho. Essesfatores modificaram a maneira de educar e a sintonia que existia, emespecial, entrefamília e escola. Dentre essas mudanças, destaca-se a dificuldade dos pais de estabelecer e sustentar os limites, o que tem resultadoemsintomaspsíquicos e sociais evidenciados na incapacidade dos filhosparalidarcom a diferença, respeitar o outro e compartilhar a vidaemsociedade.

 

Anteriormente, família e escola, comseusdiferentes papéis, educavam de modocomplementar. O declínio da autoridadepaterna colocou emquestão a hierarquia e, portanto, a legitimidade do lugar daqueles que representam a autoridadecomopais, professores e gestores. Apagada essa referência simbólica, passaram a realçar a individualidade, as celebridades, os imperativos do mercado, as exigências de sucesso atrelado ao consumo de bensmateriais e às “obrigatórias” jornadas excessivas de trabalho.

 

Nesse cenário, os pais, na tentativa de atender a essesapelos, tornam-se maisausentes e portadores do sentimento de culpaque gera a compulsão a compensar os filhos, inclusive, esquivando-se de assumir a diferença da suaposição e do seupoder. Consequentemente, a noção dos limitesque devem valerparatodos na sociedade se diluíram nospactosprivados, nas negociações e modosparticularesquecadafamília escolhe e adota paranortear a convivênciaemgeral.

 

Essa é uma das razões pelas quais a escola é convocada à impossíveltarefa de educarsem se contrapor às referências de cadaaluno, de cadafamíliaou, ao contrário, educar assumindo a responsabilidadesozinha.

 

Tarefaimpossívelporqueeducar pressupõe a preservação da diferença de lugares e das gerações, a transmissão do respeito à história e à tradição, o que difere radicalmente da concepçãoque cultua a simetria das relaçõesentreparceiros. Segundo Hannah Arendt, “a educaçãonão pode desprezar a autoridadenem a tradição e deve, mesmoassim, exercer-se num mundoquenão está estruturado pelaautoridadenemreservadopara a tradição”. Cabe à família e à escolanão abdicarem da função de humanizarseusfilhos e alunos, o que implica emreferendar a noção da leiquevaleparatodos, os valoreséticos e moraisque balizam os limites, as impossibilidades, a capacidade  paraaceitar e lidarcomfrustrações, perdas e diferenças.

“A educação não pode desprezar a autoridade nem a tradição.”

 

Quando as referências simbólicas falham, a violência surge. Estamos nos defrontando com os efeitos da falta de anteparo simbólico na família, na vidasocial e, evidentemente, na escola. No âmbitoescolar, crianças e adolescentesintolerantes à frustração e às diferenças tomam comoalvocolegas e educadores. Os educadores e gestores escolares ressentem-se diante do impasse: nãofazervaler a noção de limitesparatodos, mas se adequar ao códigoquecadafamília apresenta e exige que seja validado na vidasocial. Impasse e, em muitas instituições, crise.

 

É chegada a hora de considerar a necessidade do reposicionamento e da aliançaentrepais,  professores e educadores. É hora de repensar os mitosque confundem e atrapalham a vidaemcomunidade, como, porexemplo, os equívocos existentes entreliberdade e falta de limites; exercício da autoridade e autoritarismo; proximidade e permissividade; democracia e falta de respeito…

 

Impasses e crises abrem a vertente das novas direções. Não estamos precisando mudar o rumo?

sexta-feira , 02 de ago, 2013 Categoria : Pais

DEPOIMENTOS

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Morgana Herdle

Morgana Herdle
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Maurício Ramos
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